Os eSports representavam 2,8% do GGR do jogo online em Portugal em 2025, com projeção de duplicar até ao final de 2026. É um mercado pequeno em termos absolutos, mas com uma trajetória de crescimento que não passa despercebida. Comecei a explorar apostas em eSports há alguns anos com ceticismo — achava que era demasiado volátil e opaco para análise séria. O que encontrei foi um mercado com características únicas: menos eficiente do que o futebol em muitos contextos, mas com exigências analíticas completamente diferentes que requerem um perfil de conhecimento muito específico.
Como funcionam as apostas em eSports e o que as distingue do desporto tradicional
A estrutura básica das apostas em eSports é semelhante ao desporto tradicional: há mercados de resultado direto, handicap de mapas ou rounds, totais, e mercados especiais. O que muda é o universo de referência: em vez de futebol ou basquetebol, estamos a falar de CS2, League of Legends, Dota 2, Valorant ou Rainbow Six Siege — cada um com regras, formatos de competição e dinâmicas estratégicas próprias.
Os 17 operadores licenciados pelo SRIJ que operam em Portugal incluem cobertura de eSports na maior parte dos casos, com profundidade variável. A cobertura dos torneios principais — Majors de CS2, Worlds de League of Legends, The International de Dota 2 — está disponível na maioria das plataformas. Torneios regionais de menor dimensão têm cobertura mais irregular.
Uma diferença estrutural importante em relação ao desporto tradicional: as equipas de eSports têm rotatividade de roster muito mais alta. Jogadores mudam de equipa frequentemente, às vezes no meio de uma temporada, e a qualidade de uma equipa pode mudar de forma abrupta com uma ou duas saídas ou contratações. Este dinamismo torna o histórico de resultados menos preditivo do que no futebol, onde a continuidade de plantel e de treinador é tipicamente maior.
Outro fator distintivo: os eSports têm uma dimensão internacional muito mais uniforme do que o futebol. Uma equipa top brasileira de CS2 compete diretamente com equipas europeias e norte-americanas nos mesmos torneios — o que significa que o mercado de apostas tem de processar diferenças de metagame, de estilo de jogo regional e de adaptação a formatos de torneio específicos que não têm equivalente direto no futebol.
Mercados mais populares: CS2, League of Legends, Dota 2
O CS2 é o título com maior volume de apostas nos eSports em Portugal e globalmente. O formato de torneio mais apostado são os Majors — os dois torneios anuais organizados pela Valve com os melhores 24 teams do mundo. Nestes eventos, a liquidez é alta e os mercados são relativamente eficientes. Os torneios regulares do circuito ESL e BLAST também têm cobertura consistente nos operadores SRIJ.
Os mercados principais em CS2: resultado do jogo (match winner), handicap de mapas (se uma equipa vai ganhar por 2-0 ou o adversário vai ganhar pelo menos um mapa), totais de rounds por mapa, e primeiros a ganhar determinado número de rounds. O mercado de handicap de mapas é particularmente interessante porque captura a expectativa de dominância com mais granularidade do que o resultado direto.
O League of Legends tem um formato competitivo diferente: os torneios regionais (LEC, LCS, LCK, LPL) correm em paralelo ao longo da temporada, com os Worlds em outubro como evento principal. As apostas em LoL requerem conhecimento do metagame atual — que campeões estão fortes, que estratégias são dominantes — o que muda com cada patch do jogo. Um analista de LoL actualizado tem uma vantagem informacional real sobre os modelos estáticos dos operadores.
O Dota 2, com The International como evento principal, tem uma dinâmica de meta ainda mais variável do que o LoL, o que torna a análise mais exigente mas também potencialmente mais recompensadora para quem tem conhecimento aprofundado do título. É o mercado de eSports com menor volume relativo mas com potencial de ineficiência mais alto nos eventos secundários.
Crescimento do mercado eSports em Portugal: dados e projeções
Os 2,8% do GGR que os eSports representam em Portugal em 2025 são um ponto de partida modesto mas com trajetória clara. A projeção de duplicar até ao final de 2026 reflete tanto o crescimento natural da base de apostadores jovens — os que cresceram com videojogos e têm familiaridade com estes títulos — como a expansão da cobertura por parte dos operadores SRIJ.
Um fator demográfico relevante: 32,5% dos novos apostadores em Portugal têm entre 18 e 24 anos. Esta é precisamente a faixa etária com maior familiaridade com eSports, o que sugere que o crescimento do mercado de apostas em eSports tem suporte estrutural do lado da procura. À medida que este segmento etário cresce em peso no total de apostadores ativos, o volume de eSports deve crescer de forma proporcional.
Para o apostador que está a considerar entrar neste mercado, o timing importa. Num mercado em crescimento mas ainda relativamente imaturo, as ineficiências tendem a ser mais frequentes do que num mercado estabelecido. Nos próximos anos, à medida que mais apostadores profissionais entrem nos eSports e os operadores aperfeiçoem os seus modelos, a eficiência vai aumentar. Quem desenvolver conhecimento analítico agora está numa posição melhor do que quem esperar pela maturidade do mercado.
